Representantes de nove sindicatos que compõem o MUSPE (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais) estiveram nesta quinta-feira, 22/06, no Palácio Guanabara, em reunião com o governador Pezão. Fábio Neira, vice-presidente do SINDPOL e presidente da COLPOL, esteve lá representando os policiais civis e suas demandas.

Marcada para às 10h, a reunião só começou ao meio-dia e durou até às 13:50h. Em pauta, a cobrança de convocação de concursados, nomeação e posse imediata de papiloscopistas, calendário de pagamentos, progressão na carreira etc.

O governador Luiz Fernando Pezão afirmou que a única solução para o Rio de Janeiro é o acordo de ajuste fiscal e disse que não há previsão de quando vai pagar os salários atrasados. Sobre a chamada dos concursados, progressão de carreira e tudo que envolva questões financeiras ele disse que não tem nada a afirmar por enquanto justamente porque está esperando o acordo de ajuste fiscal.

Para Fábio Neira, vice-presidente do SINDPOL e presidente da COLPOL, o sentimento era de frustração com o teor da reunião: “O governador não sinalizou, não se comprometeu com nada que dependa de recursos financeiros. Ele está amarrado. Pra ele, a única solução passa pela aprovação do Plano de Recuperação Fiscal”, explicou Neira.

Ramon Carrera, presidente do Sind-Justiça, falou em decepção: “A gente sai decepcionado desse encontro. Não há um plano B para o governador. Caso esse pacto não seja assinado, ele não tem um plano B. Essa é a realidade. Enquanto isso, o servidor paga a conta da crise. Esperávamos pelo menos um calendário de recebimento. Passou a hora dele sair do governo do Estado”, disse Ramon.

Mesac Eflain, da Abmerj, também lamentou o rumo político do governo: “O servidor não pode pagar pelos erros dessa má gestão. Chegamos a esse ponto por causa de má gestão, incompetência e muita corrupção. Corrupção essa que vem desde o governo Cabral. Se ele não tem condições de governar, que passe o bastão. O que não dá é querer que o servidor pague essa conta”.

Ainda segundo Ramon, o governador em vários momentos da reunião teria falado que não sabe se continua até 2018: “Por várias vezes ele falou isso. Só lembrando que hoje cedo o Picciani, em entrevista à CBN, disse que, se o acordo de recuperação fiscal não for homologado, o Rio só tem duas alternativas: intervenção federal ou impeachment do governador. É algo preocupante ver a queda de braço entre o Executivo e o Legislativo aqui no Rio. Enquanto isso, os servidores estão passando fome. Não dá mais pra ficarmos nessa situação”, afirmou Ramon.

Após a reunião com o governador, os integrantes do MUSPE se dirigiram à Sede Cultural e Centro de Estudos da COLPOL, no Centro do Rio, para uma reunião de avaliação do movimento e também para traçar as próximas estratégias de atuação.