Ter um esporte, um hobby, um lazer é sempre bom. Faz bem ao corpo e à alma, dizem os adeptos. Mas, para um grupo de motociclistas trilheiros do Rio de Janeiro, a atividade que praticam traz ainda outro benefício:  o cuidado com a natureza.

Isso mesmo. Cuidado com a natureza e preservação ambiental também fazem parte da realidade dos quase 100 integrantes do Macatrilha, um grupo de motociclistas da zona oeste do Rio que realiza trilhas em montanhas. Formando há cinco anos, há 2 anos, o Macatrilha passou a se reunir e fazer sua base em parte do terreno da Sede Campestre da Colpol, na Boiúna, em Jacarepaguá.

Trilheiro há 11 anos, o administrador Marcelo de Macedo, de 36anos, é o presidente do Macatrilha e fala com orgulho do grupo: “Somos apaixonados por isso aqui. Juntamos um hobby, um esporte delicioso com prazer pessoal, trabalho social e cuidado com a natureza. Por isso, falo com orgulho, mesmo.”

No grupo, há profissionais de várias áreas: servidor público, eletricista, dentista, empresário, vendedor, policial, professor. Em comum, a paixão por motos. “Tem gente que não passa um domingo sem seu futebolzinho, né? Pra gente, o que não pode faltar é uma boa trilha para ir de moto”, explica Marcelo.

Há pouco mais de dois anos, a trupe do Macatrilha ganhou um novo ânimo. O motivo: passaram a usar o terreno da Sede Campestre da Colpol para fazer as trilhas. “Nossa galera faz trilha com consciência ambiental. Por isso, cuida do espaço por onde passa; ajuda a preservar o meio ambiente, realiza ações de replantio, ações de conscientização com a população local. Isso é muito bom porque gera envolvimento nas outras pessoas, também. Com isso, ganha a natureza. Ganhamos todos nós. Sem contar que o local é lindo. A vista é maravilhosa. Seja de noite ou de dia, a vista é sempre um presente aos olhos. Quem vem, sai revigorado, encantado. É um prazer para a gente poder usar esse terreno da Colpol Campestre pras nossas trilhas”, diz Marcelo.

Para Fábio Neira, presidente da Colpol, a parceria é bem-vinda para os dois lados: “Ter o pessoal do Macatrilha fazendo suas trilhas em nossas terras é muito bom. Como o terreno é muito grande, tê-los com a gente ajuda a movimentar a área e traz mais segurança. Só por isso já seria muito bom. Mas, como eles têm também esse cuidado com a preservação ambiental e com ações sociais, pra gente é muito mais gratificante ainda tê-los com gente usufruindo do nosso espaço. Parcerias positivas são sempre bem-vidas”, afirmou Fábio.

Entre as espécies replantadas no local, Marcelo conta que já plantaram mudas de ipê, pata-de-vaca; pau-de-alho e aroeira. Outra preocupação é passar com as motos por onde a chuva abre caminho: “Tem gente que acha que o pneu vai danificar o solo, mas não é verdade. Temos esse cuidado de seguir o caminho aberto pelas águas da chuva. Além disso, recuperamos o local, replantamos mudas, já recuperamos uma nascente. A gente cuida, preserva, mantém e propaga esses ideais.”

De vez em quando, o Macatrilha recebe grupo de fora do Rio que se integram a eles tanto no prazer das trilhas quanto no ideal de preservação ambiental. Há dois meses, receberam, por exemplo, uma turma de trilheiros do Espírito Santo. “Eles pernoitaram no clube e de dia já estávamos fazendo nossas trilhas por aí. Foi delicioso. A galera adorou”, lembra Marcelo.

No grupo que encara as motos, só homens. Mas, acompanhando a turma tem as esposas, os filhos, os amigos. Todos são bem-vindos e participam no que podem: seja no trabalho social, nas ações de replantio ou nas festas: “Ah, organizamos nossas festinhas, também, claro. Nossos eventos comungam tudo isso que acreditamos: prazer, alegria e ajuda ao próximo. Já recolhemos doações para abrigo de crianças especiais, conseguimos brinquedos para doar na festa de Dia das Crianças e outros mais”, conta o presidente do Macatrilha.