não devemos criar

bodes expiatórios

Presidente Walter Heil | Foto: Coligação

Presidente Walter Heil

WALTER HEIL, presidente da Coligação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro atua com uma instituição democrática e promotora de cidadania nas manifestações que vem agitando o país. Várias declarações feitas pela sociedade reconhecem o trabalho bem feito pela Polícia Civil. A mais emblemática foi de um integrante da Mídia Ninja, o comunicador enalteceu o atendimento democrático recebido na 9ª DP. É nesse caminho que apostamos as nossas fichas: a Polícia Civil deve ser cada vez mais uma instituição de garantia de direitos.

No entanto, há alguns dias atrás, a prisão do ator Vinicius Romão colocou as práticas da nossa instituição sob o questionamento de racismo e arbitrariedade. A grande mídia questiona os métodos utilizados. A tendência é que busquemos mais uma vez bodes expiatórios, ao invés de solucionar os problemas na sua raiz.

Um dia desses, conversando com uma delegada, ela me disse:

“Na dúvida é melhor prender! Assim você não é questionada. Eu deixei de prender um motorista que atropelou uma pessoa em cima da calçada. No outro dia, as manchetes eram: ‘Delegada deixa solto o motorista que atropelou uma vítima em cima da calçada.’ Entendeu? A manchete não era: ‘Delegada indicia motorista que atropelou…’. Ou seja: na dúvida é melhor prender!”

A instituição fomenta essa lógica. Afinal, as delegacias são avaliadas por mecanismo de metas e índices onde o número de prisões são os principais parâmetros para avaliar a eficiência do serviço.

Vinicius Romão não foi preso pelo suposto racismo dos policiais. O ator foi preso por uma lógica perversa do “na dúvida é melhor prender”. A sociedade, muitas vezes, incentiva essa lógica e ao mesmo tempo cobra da polícia métodos mais democráticos. A Polícia Civil, se cometeu algum erro, não o cometeu sozinha. O racismo é um crime que dever ser extirpado de toda a sociedade, está muito longe de ser apenas um caso de polícia.

A Coligação acha que esse fato serve como um alerta para todos: os policiais não se devem deixar encantar com o repetido chamado a prender primeiro e investigar depois. O maior número de prisões não pode estar submetido ao desvio das normas legais.